[Feedz Writer] Comunicação Corporativa: Comunicação não-violenta. – Por Antonio Marinho

+ Sobre Antonio Marinho
Graduado em Administração em Recursos Humanos. Certificado como Professional & Self Coaching pelo IBC.

Quando é feito um levantamento do tema que os colaboradores querem aprender mais, a resposta é “comunicação”. Por isso nós, profissionais de Gente & Gestão, temos que trazer treinamentos que agreguem valor ao negócio.

A comunicação é de supra importância em qualquer tipo de relacionamento, e é muito claro que as pessoas não sabem realizar uma comunicação adequada para alcançar aquilo que almejam. E como nós profissionais de Gente & Gestão podemos contribuir para o desenvolvimento? Durante anos as organizações estão assumindo a responsabilidade de fazer a entrega da necessidade básica dos cidadãos, incluindo vale alimentação e/ou cesta básica, e seguro saúde (convênio médico) em seus pacotes de benefícios, tudo para atrair e engajar seus talentos. Esses pacotes de benefícios vem se alterando, ainda mais com a entrada da geração Z (nascidos a partir de 1996) no mercado de trabalho, tornando os benefícios mais flexíveis e atraentes para este público bastante exigente.

Quando falamos em benefícios, logo vem a pergunta “Vocês têm plano de carreira? Tem plano de desenvolvimento?” e, claro, o setor de gestão de pessoas tem que estudar o mercado, avaliar quais são as tendências e entregar além do que seus concorrentes estão entregando. O “PDI” (Plano de Desenvolvimento Individual), é algo que brilha os olhos no processo de entrega de valor aos talentos, e não é por menos, pois muitos chegam com muito conhecimento técnico (hard skill), e pouca bagagem de conhecimento comportamental (soft skill), e é aí que entram os profissionais de treinamento e desenvolvimento, trazendo a bagagem que falta para aquele indivíduo ter uma rampagem dentro da organização.

Criar e ministrar treinamentos de comunicação é primordial, pois através deste momento é possível encontrar os gaps de comunicação, e alinhar as expectativas que as organizações têm no processo de haver uma comunicação assertiva.

Comunicação assertiva

Comunicação assertiva não é algo muito comum na cultura dos brasileiros, pois é vista muitas vezes como uma comunicação ríspida, mas que, se bem feita, tanto o receptor quanto o emissor conseguem alinhar suas expectativas, criar um acordo sólido para que o processo de comunicação não tenha ruído. Mas como posso fazer uma comunicação assertiva sem parecer grosso? Para fazer uma comunicação assertiva corretamente, é preciso que o emissor conheça o receptor e crie um rapport. Este processo precisa ser muito rápido e o emissor precisa deixar claro o que se espera ao se comunicar, dando alternativas para o receptor. Por exemplo:

Receptor: “Fulano, você pode assumir uma atividade que está em minha agenda pois eu terei outro compromisso?”
Emissor: “Ciclano, eu não poderei assumir esta demanda, me desculpe. Eu estou com outras atividades que me demandam muito tempo, e eu tenho um compromisso com minha esposa. Posso tentar resolver minha atividade com mais agilidade e então lhe ajudar para que você faça a entrega da sua. Tudo bem?”
Receptor: “Sim, claro! Obrigado por me ajudar, entendo que você também tem seus compromissos.”

Sabemos que nem sempre o receptor receberá uma negativa com tanta tranquilidade, mas se, desde o início do relacionamento for colocada a importância de uma comunicação assertiva, ambos entenderão que naquele momento não é possível realizar o que se está pedindo. Além disso, se colocando à disposição para ajudar o outro, se cria um laço mais profundo, pois saberão que poderão contar um com o outro.

CNV: Comunicação não-violenta

Hoje muito temos ouvido falar da comunicação não-violenta, existem diversos treinamentos, vídeos no youtube, podcasts (aliás, posso recomendar alguns sensacionais), para acesso e entendimento da CNV. Mas como posso colocar em prática e usar a comunicação não-violenta como um excelente hack de comunicação corporativa?

O pessoal de T&D (Treinamento & Desenvolvimento) precisa nivelar o conhecimento com toda equipe. Acredito que este seja o primeiro passo para introduzir a CNV nas organizações e, depois, apresentar a comunicação como uma ferramenta a ser utilizada diariamente.

Hoje, na Conexorama, utilizamos a CNV para resolução de conflitos, sempre ajustados com os 4 componentes:

  • Observação: relatar a situação sem qualquer análise pessoal, se livrando dos julgamentos;
  • Sentimentos: acredito que de todos os componentes, este seja o mais importantea ser desenvolvido, pois se não há o entendimento de diferenciação das emoções, e sem o autoconhecimento, ficará difícil conseguir deixar claro qual foi o sentimento;
  • Necessidade: após relatar a situação, expor o sentimento, é preciso deixar claro quais necessidades básicas não foram atingidas e por que isso gerou um conflito;
  • Pedido: aqui é o momento que deve ser feito um acordo entre as partes, pois após ter se aprofundado em toda situação, é importante que gere entendimento e aceitação.

A Comunicação não-violenta é um hack da comunicação que, havendo o autoconhecimento, entendimento de como aplicar, é só partir para construção de pontes que geram uma conexão profunda com o outro. Não construa muros, saia da sua própria bolha, permita que o outro exponha sua percepção, expresse seus sentimentos, suas necessidades não atendidas e realize o pedido, e quando for você a receber uma comunicação violenta, faça algumas perguntas:

  • O que ele está me falando foi o que realmente aconteceu?
  • O sentimento demonstrado foi o que eu procurei gerar no outro?
  • Como posso atender a necessidade dele sem gerar frustração?
  • Qual o tipo de acordo podemos fazer para criar uma conexão?

Após a leitura deste artigo, você pode criar estratégias para colocar a CNV em prática em sua organização?

Caso queira falar mais sobre, me procure, estou aqui para criar novas pontes, estourar as bolhas e derrubar muros, mas fazendo isso sempre com empatia.