Clima organizacional: o que a vibe da empresa diz sobre a produtividade

clima organizacional

O ambiente profissional é quase uma segunda casa para a maior parte das pessoas. Sendo assim, elas querem se sentir confortáveis e à vontade nesse local. Foi-se o tempo que um ambiente hostil caracterizado por altos níveis de pressão e cobrança era atraente para os melhores profissionais de mercado. Hoje, um bom clima organizacional é um diferencial de mercado.

O modelo tradicional de escritórios, baseado em pilares como metas exorbitantes e chefes que não “jogam junto” adoeceu as pessoas.

De acordo com uma pesquisa da International Stress Management Association (Isma), o Brasil tem a segunda população mais estressada do mundo, com 30% das pessoas economicamente ativas sofrendo de burnout — esgotamento físico e mental relacionado com o estresse causado pelo trabalho

Entendendo que não é sustentável e recompensador passar a maior parte do dia em ambientes que geram desgaste, as pessoas começaram a procurar escritórios com um clima organizacional de bem-estar, respeito e empatia.

Além de ser atrativo para os talentos mais qualificados, investir em um clima verdadeiramente saudável também proporciona mais felicidade no trabalho e motivação, o que resulta em ganhos financeiros maiores.

De acordo com uma pesquisa da Right Management, profissionais motivados são 50% mais produtivos. O estudo ouviu 30 mil pessoas de 15 países, sendo 10 mil delas brasileiras. Mas aqui as empresas precisam ainda trabalhar muitos fatores de engajamento e motivação.

Segundo outro estudo, desta vez da The Marcus Buckingham Company, apenas 16% dos trabalhadores brasileiros se sentem totalmente engajados com seu trabalho. Apesar do número baixo, somos o quarto país com melhor resultado na pesquisa.

Técnicas para criar e aprimorar o clima organizacional podem ser a resposta para melhorar esse índice, a qualidade de vida dos profissionais e, assim, a rentabilidade das empresas. Bora descobrir como fazer isso? 👇

 

O que é clima organizacional?

O clima organizacional é a parte impalpável da cultura organizacional. Ele mostra como os coladoradorem pensam e agem dentro da empresa, 

Por mais que seja abstrato, o clima organizacional impacta diretamente a produtividade no trabalho e sucesso de uma instituição, isso porque é ele que permeia o comportamento das pessoas no ambiente profissional.

Imagine a diferença em entrar em uma empresa tradicional e em uma startup. Na tradicional, geralmente, as pessoas estão tensas, pouco falam umas com as outras, a estrutura da sala mostra qual é a hierarquia, as pessoas são pouco abertas a colaborarem umas com as outras e, geralmente, o ambiente é monocromático.

cultura organizacional

Já em uma startup o ambiente aberto prevalece, é impossível identificar as hierarquias logo de cara, a conversa no trabalho é incentivada e as pessoas trocam ideias umas com as outras, independente do setor, há mais cor, barulho e sorrisos.

Em um primeiro momento, pode até parecer que a tradicional tem resultados melhores. Mas o clima mais descontraído e livre das startups com certeza gera mais motivação e engajamento, o que, consequentemente, impacta em mais produtividade e rentabilidade.

O clima reflete a cultura da empresa. Então, se há liberdade, transparência e colaboração como pilares culturais, por exemplo, ao entrar no escritório é possível perceber isso só pelo comportamento e postura dos profissionais ali presentes.

E quando um novo colaborador ingressa na empresa, naturalmente, ele vai incorporar tais pilares nas suas atitudes, afinal, o clima organizacional inspira tal conduta.

 

Qual a diferença entre cultura e clima organizacional?

Muitas pessoas confundem esses dois conceitos ou então os fundem em um só. Para ficar claro: a cultura organizacional é o conjunto de práticas, ações, políticas e comportamentos que regem a rotina da empresa.

Ela é composta por pressuposto (atitudes, crenças e comportamentos inconscientes presentes na rotina da companhia), valores e artefatos (práticas de gestão, serviços, símbolos, padrões e histórico).

Já o clima organizacional é, basicamente, a efetivação dos pressupostos da cultura. É ele que gera a sensação de unidade, pertencimento e comprometimento dentro da empresa.

Se a cultura é baseada em colaboração, por exemplo, os profissionais terão pelo menos uma atividade que é em parceria com outra pessoa, todos entenderão que seu trabalho ajuda no alcance dos objetivos do negócio e trabalharão com propósito.

 

Como construir um clima organizacional de sucesso

É claro que só escrever quais são os pilares de clima esperados para o negócio não faz com que eles se concretizem na prática.

É preciso seguir os seguintes passos para estabelecer um clima que inspire sucesso e motive os colaboradores:

 

1. Entenda onde está e para onde quer ir

Por mais que se tenha idealizado o clima que uma empresa inovadora deva ter, é preciso respeitar a originalidade de cada negócio.

Não adianta instituir flexibilidade de horários em uma empresa que precise de atendimento durante horário comercial, por exemplo.

Ou ainda querer instituir espaços de descompressão com jogos eletrônicos se o perfil de colaboradores preferem outro tipo de passatempo.

Por isso, antes de querer importar o clima que é modelo em outras empresas, estude qual o perfil dos colaboradores atuais, o que os motiva, o que os desmotiva, qual o seu propósito pessoal, entre outros fatores. Só assim, o clima será construído de uma forma natural e eficiente. 

Junte esse estudo com os pressupostos, valores e artefatos da cultura e analise quais são os pontos em comuns e o que pode ser aprimorado.

Por exemplo, se na pesquisa foi identificado que os colaboradores se sentem mais motivados com reconhecimento e esse é um valor da cultura do negócio, para alcançar um clima de bem-estar e motivação é preciso investir em uma cultura de feedbacks. 

 

2. Comece por exemplos

Com isso tudo mapeado é hora de começar a implementar as ações que resultarão no clima desejado. Para ser uma construção natural e não imposta — que tende a nunca funcionar completamente porque já começa como uma obrigação — a melhor técnica é o exemplo. Estimule os líderes a praticarem tais ações e incentivarem que os colaboradores façam o mesmo

Seguindo o exemplo da necessidade de reconhecimento para gerar um clima de bem-estar e motivação. Incentive que os líderes deem feedbacks constantes para a equipe e que peçam também um retorno sobre  sua atuação.

Aos poucos, os líderes podem incentivar que os colaboradores deem feedbacks para seus colegas, para pessoas de outras equipes e, naturalmente, uma cadeia de reconhecimento vai sendo construída.

 

3. Avalie constantemente o clima

Por ser algo dinâmico e impalpável, o clima organizacional muda toda hora. Qualquer mudança de comportamento na equipe pode impactar no trabalho de mais de ano da construção do clima desejável.

Uma única demissão injustificada, por exemplo, pode gerar um clima de desconfiança e medo que, se não revertido rapidamente, tende a se tornar constante, trazendo desmotivação para a equipe. Por isso, mapear e manter o clima é de suma importância.

A pesquisa de clima organizacional é uma ferramenta poderosa para analisar constantemente como os colaboradores estão se sentindo e receber feedbacks de como melhorar as práticas internas da empresa para corresponder às expectativas deles.

 

Como e por que cuidar do clima organizacional?

Como mencionamos, manter o clima organizacional é de crucial importância por causa do seu perfil dinâmico.

Como algo impalpável e criado a partir do comportamento de um grupo de pessoas, o clima é condicionado, muitas vezes, às sazonalidades e é preciso de um trabalho estratégico para mantê-lo mesmo nessas condições.

Um exemplo que todas as empresas vivenciaram em 2020: a pandemia. Por mais que o clima do negócio fosse de reconhecimento, transparência e confiança, fatores externos como insegurança sanitária e econômica impactaram na forma como as pessoas se sentiram perante seus trabalhos nesse período.

O distanciamento social piora a situação ao passo que tira as pessoas do ambiente “controlado” do escritório, fazendo com que o clima precise ser ainda mais forte para ser estendido à casa de cada colaborador

Em situações como essa é preciso refazer as pesquisas de motivação, afinal, as prioridades e preocupações de todos mudaram.

Para manter o pressuposto de confiança, por exemplo, reuniões semanais com o cenário econômico atual do negócio podem ajudar, assim como o reconhecimento precisa ser mantido mesmo que os feedbacks sejam dados por meio de videochamadas ou plataformas online.

Se a saúde se tornou um fator de motivação, permitir que os colaboradores só voltem ao presencial quando se sentirem confortáveis para tal pode ser uma solução. 

Mas podemos pensar em uma situação menos extrema mas que também mostra a sazonalidade e a importância de manter o clima.

Empresas que atuam com e-commerce geralmente têm metas mais agressivas, prazos mais curtos e trabalho mais intenso durante a Black Friday.

Sabendo disso, a área de gestão de pessoas pode se preparar para o período ser o menos estressante possível, mantendo o clima de satisfação e bem-estar.

Horários flexíveis, compensação de horas, espaços de descompressão, momentos de conversa e aumento da colaboração são alguns exemplos de atitudes que podem ser aprimoradas para tentar equilibrar o clima nesse período

Cuidar periodicamente do clima da organização e adaptá-lo à realidade atual do negócio é importante para poder manter um ambiente saudável que inspire motivação e bem-estar dos colaboradores, o que ajuda os profissionais a encontrarem a tão buscada felicidade no trabalho

Se por um lado isso traz qualidade de vida para os profissionais, pelo lado da empresa ajuda na produtividade.

De acordo com um estudo feito pela Universidade da Califórnia, um profissional feliz é, em média, 31% mais produtivo, três vezes mais criativo e, se atua no campo comercial, vende 37% mais em comparação com os outros.

O clima, portanto, pode ser uma estratégia competitiva para o negócio. Além da melhora de resultados, uma empresa que investe nesse diferencial também fortalece o employer branding, o que facilita a atração de talentos qualificados e sua retenção.

Além de diminuir os custos com processo seletivo, a empresa ainda minimiza os malefícios de uma alta rotatividade, como sobrecarregamento de profissionais, desmotivação, atraso em projetos, impacto no relacionamento com o cliente, entre outros.

 

Como medir o clima organizacional?

Para colher todos esses benefícios, no entanto, é preciso ter estratégias para preservar e manter o clima organizacional.

Para tal, o ideal é estar constantemente medindo a motivação e engajamento dos colaboradores, assim como fazendo as mesmas perguntas que foram feitas lá no desenho da construção do clima.

Para isso, existem duas técnicas: eNPS e a pesquisa de clima organizacional.

O eNPS, Employer Net Promoter Score,  é inspirado no NPS, Net Promoter Score, criado para medir o engajamento e a satisfação dos clientes da empresa.

Ele metrifica os mesmos indicadores, mas leva em consideração a opinião dos colaboradores.

Existem duas informações centrais a serem extraídas dessa pesquisa: se os profissionais indicariam a empresa e os motivos para isso.

Na primeira fase, faça a seguinte pergunta: “em uma escala de 0 a 10, qual a probabilidade de você recomendar a nossa empresa como um bom lugar para trabalhar?”

A pesquisa de clima, por outro lado, é outra ferramenta essencial para melhorar esse fator na empresa.

Ela orienta como guiar os colaboradores e deve ser vista como parte do planejamento estratégico da empresa, tendo como principal objetivo entender como os colaboradores de um negócio estão se sentindo em suas rotinas. Além de:

  • metrificar e apontar oportunidades de melhorias no ambiente organizacional;
  • ouvir os colaboradores e entender como as mudanças podem ser suavizadas;
  • identificar o que trava o desempenho dos profissionais;
  • aumentar a inovação no ambiente;
  • coletar dados para tomar decisões estratégicas e conscientes. 

Diferente do eNPS, a pesquisa de clima não precisa de uma periodicidade curta. Ela serve para fazer diagnósticos mais avançados, por isso, precisa ter um intervalo de tempo hábil para as iniciativas e testes surtirem efeito.

Na pesquisa de clima, pergunte coisas como:

  • O ambiente da empresa te inspira? Por quê?
  • Você sente que seu trabalho impacta diretamente nos objetivos do negócio? 
  • Como categorizar sua rotina dentro da empresa hoje?
  • A empresa oferece um ambiente tranquilo para o seu trabalho hoje?
  • Qual o principal motivo pelo qual deixaria a empresa hoje?

Além das perguntas básicas, podem ainda serem feitos questionamentos dentro de um campo específico, se mapeada a necessidade.

Por exemplo, se existem muitas queixas quanto aos líderes do negócio, a pesquisa de clima organizacional pode focar nesse aspecto para tentar entender o quanto isso impacta na motivação dos colaboradores e como é possível melhorar esse aspecto.

 

Pesquisa de clima vs eNPS

A pesquisa de clima serve para ter uma imagem clara de como está esse aspecto dentro do negócio, ou seja, ela ajuda a entender o que está bom e o que precisa aprimorar para manter uma sensação de bem-estar geral.

O que foi feito que surtiu efeito para esse fim e o que deixou a desejar, como os colaboradores se sentem perante a empresa, o que é preciso aprimorar entre outras coisas. 

Já o eNPS contribui para, entre as pesquisas de clima, medir a temperatura e entender se o negócio está no caminho certo, mapear quais ações melhoraram o engajamento e quais não surtiram o efeito esperado e ter uma fotografia atual do quadro de motivação como um todo.

As duas ferramentas se completam enquanto uma se posiciona como estratégica e outra como tática: enquanto a pesquisa de clima desenha um plano para entender a situação e melhorá-la, o eNPS monitora na prática como isso influencia os colaboradores

 

Engajamento, motivação e produtividade

Essas parecem palavras da moda que toda empresa segue, às vezes, sem entender direito o que significam.

Para construir um clima verdadeiramente positivo e alcançar tais objetivos, o primeiro passo é ser autêntico.

Não existe modelo que funcione para todos os negócios, tudo precisa ser adaptado para o DNA da empresa, só assim, verdadeiramente, o clima será de bem-estar .

Como falamos, a implementação de qualquer prática e estratégia para aprimorar o clima deve ser implementada através do exemplo, a fim de amenizar o impacto e não ser uma imposição – o que resultaria no efeito totalmente contrário do desejado. 

Para conquistar tudo isso, os dados são fundamentais. O RH tradicional não consegue contemplar tais estratégias porque não se baseia em dados para se organizar.

As pesquisas e ferramentas de monitoramento são essenciais para entender o que o DNA da empresa diz, o que seus colaboradores valorizam e sentem, o que precisam e como isso pode ser aplicado.

Além disso, tais informações também ajudam a entender quais ações funcionam e quais não, otimizando o investimento e trazendo um ROI maior para as estratégias de gestão de pessoas

Para alcançar verdadeiramente o engajamento e a motivação, essas não podem ser só palavras no planejamento estratégico. Elas devem ser nortes para qualquer ação. Sendo assim, ferramentas adjacentes precisam também ser implementadas, como:

A motivação e o engajamento são resultado do estudo de diferentes dados e do desenho de uma estratégia assertiva para o negócio.

Só dessa forma o clima corresponderá às expectativas dos colaboradores e levará a produtividade e felicidade.

E na sua empresa, como andam cuidando do clima organizacional?

Analista de Conteúdo na Feedz, mais conhecido como Pai do Blog. Formado em jornalismo pela UFSC, especializado em produção de conteúdo digital e apaixonado por fazer da comunicação uma ferramenta de transformação social.
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