Avaliação 360 graus: vantagens e desvantagens de utilizar

avaliação 360 graus vantagens e desvantagens

Você já assistiu ao BBB? Vamos usá-lo como uma referência para desvendar método de avaliação 360 graus: vantagens e desvantagens. 

Geralmente os reality shows dividem opiniões. Tem o grupo que não perde nenhuma edição e tem os que acham perda de tempo. 

Independente de qual lado você está, precisa concordar que programas como esse levantam várias pautas. 

A última edição do programa, por exemplo, abordou questões como racismo, assédio psicológico, diversidade de gênero, entre outras pautas sociais.

Imagine se o BBB fosse uma empresa, os papéis poderiam ser distribuídos da seguinte forma:

  • Boninho (diretor) – CEO 
  • Tiago Leifert (apresentador) – Gestor
  • Líder (um dos participantes) – Coordenador
  • Participantes – Colaboradores 
  • Espectadores (o Brasil que tá vendo) – Clientes 
  • Patrocinadores – Fornecedores ou Parceiros

Neste contexto, a avaliação 360 graus seria cada participante se auto avaliar, avaliar seus colegas, o líder e até o apresentador. 

O líder, por sua vez, também faria uma análise sobre o seu reinado, sobre seus “súditos” e sobre o apresentador. Vale lembrar que os espectadores avaliam o programa o tempo todo. 

Tem ainda o famoso “jogo da discórdia”, que também é uma ferramenta de avaliação entre os participantes. Só não é 360 graus, porque envolve apenas os brothers e sisters.

A grande diferença entre o que acontece no Big Brother e o mundo corporativo é o objetivo. O programa quer audiência, quer entreter, quer ver “fogo no parquinho”. 

Já na empresa existe uma preocupação com metas coletivas (diferente do BBB onde só um ganha), com o desenvolvimento pessoal e profissional, o bem-estar das pessoas. 

Por isso, as avaliações devem ser estruturadas. Para depois gerar uma análise e posteriormente uma devolutiva aos participantes. 

Só assim cada um consegue compreender o que precisa fazer para se desenvolver. 

A pergunta que fica é: será que os métodos de avaliação usados, tanto pelo BBB quanto pelas empresas, são os mais efetivos? 

É o que vamos descobrir ao detalhar a avaliação 360 suas vantagens e desvantagens.

 

O que é a avaliação 360 graus?

O método de avaliação 360 graus é tradicional na gestão de pessoas. Por meio dela o profissional se auto avalia, avalia a liderança e também seus pares.

O objetivo desse formato é compreender o real desempenho de cada colaborador, evitando desvios. 

A média das avaliações permite identificar pontos positivos e de melhorias, tanto quanto ao trabalho do profissional, como sua relação com as lideranças e colegas. Ou seja, as soft skills e hard skills.

Como tudo na vida, a avaliação 360 graus tem vantagens e desvantagens. E, a nossa intenção não é defender, nem desaprovar a ferramenta. 

Queremos apenas compartilhar informações relevantes. Para lhe ajudar no momento de escolher a melhor estratégia para avaliar os colaboradores da sua empresa. Então, vamos lá!

 

Avaliação 360 graus: vantagens e desvantagens que você precisa conhecer

Existem vários modelos de avaliação 360 graus, mas não vamos falar de um específico. Afinal, a intenção é focar nos pontos positivos e negativos da ferramenta.

 

Vantagem 1: Unir as peças do quebra-cabeças

Imagine que cada participante da avaliação 360 graus tem uma peça de um quebra-cabeças. 

Quando a “pesquisa” é feita, essas peças são entregues ao RH para uní-las. 

Portanto, uma das vantagens da avaliação 360 é identificar diferentes pontos de vista sobre o mesmo profissional. 

Essa análise é bem relevante, para entender em quais âmbitos o colaborador precisa se desenvolver mais: 

  • no relacionamento interpessoal com seus líderes ou colegas; 
  • na comunicação; 
  • no conhecimento técnico;
  • outros. 

Se a empresa fosse um reality show, essa visão mais ampla poderia ser feita a partir do que as câmeras posicionadas em ângulos diferentes captaram. Mas, como não é, cada um dos envolvidos precisa registrar a sua opinião.

 

Vantagem 2: A imparcialidade

Você já trabalhou com alguém que tinha o “pavio curto”? Alguns profissionais não têm um bom relacionamento com seus colegas, mas se dão muito bem com as lideranças. 

Isso pode resultar em avaliações bem distintas, com percepções muito diferentes sobre a mesma pessoa. 

Para situações assim a avaliação 360 graus é imparcial, pois reúne elementos de várias fontes. 

A temporada de 2021 do BBB teve participantes eliminados com percentuais recordes. Karol Conká e Nego Di saíram com 99,17% e 98,76% de rejeição, respectivamente. 

Os demais participantes não tinham essa percepção de que o desempenho dos colegas era tão reprovado pelo público. 

Essa avaliação só se tornou possível quando cada um saiu do programa e descobriu outros ângulos da história. 

 

Vantagem 3: Pontos fortes e fracos

Sabe aquele vendedor excelente, que os clientes amam, bate todas as metas, é um colega gente boa? Um belo dia ele pode assumir a função de coordenador e todo o encanto acaba.

A avaliação 360 é uma alternativa para identificar mudanças bruscas no desempenho, performance e até relacionamento dos profissionais. 

O fato de reunir a percepção de vários colaboradores é importante para criar uma média de desempenho. Caso contrário a empresa teria apenas um ponto de vista. 

É aquela história de “quem vê close, não vê corre”. Quando você vê uma foto linda nas redes sociais, não sabe o que tem por trás, toda a produção, tratamento digital, etc. 

A proposta da avaliação 360 graus é reunir o máximo de perspectivas para, a partir disso, considerar pontos fortes de um colaborador e pontos que precisa melhorar.

Para equilibrar o jogo, vamos falar um pouquinho sobre as desvantagens da avaliação 360 graus.

 

Desvantagem 1: Resultado inconclusivo 

A avaliação 360 graus une vários pontos de vista, geralmente de pessoas que não são especialistas. 

O RH fica com várias percepções, que podem destoar entre si. Uma pode dizer que o profissional é excelente, outra que ele tem muito a melhorar. 

E aí, surgem alguns desafios para o RH resolver: 

  • Como dar um feedback sobre isso ao colaborador?
  • Quais habilidades ou características são de fato positivas?
  • Quais aspectos precisam ser desenvolvidos?

Sem respostas para essas perguntas, o resultado da avaliação se torna inconclusivo. E o pior, muitas vezes a próxima avaliação será só no ano seguinte. 

Imagina que você está no BBB e participa de um “paredão falso”. Parece que foi eliminado, mas na verdade não. Recebeu informações privilegiadas e voltou. Mas, aí na primeira oportunidade você volta ao paredão e é eliminado de vez. 

Certamente o primeiro pensamento ao sair é: afinal, o público me ama ou me odeia? Para quem fica no programa isso também é um tanto confuso. 

 

Desvantagem 2: Percepção distorcida

A avaliação 360 graus é uma ferramenta que demanda um certo trabalho do RH, por isso não é feita com tanta regularidade. 

Isso pode influenciar no resultado, criando uma percepção distorcida sobre os avaliados. Inclusive, a própria proximidade entre os profissionais ou um desgaste no relacionamento interpessoal pode interferir no resultado. 

Se fizermos mais uma analogia com o BBB 21, seria algo semelhante à avaliação que os participantes faziam da Karol Conká. 

Por ser uma artista famosa, que se posicionava em relação aos acontecimentos, os brothers e sisters acreditavam que ela estava agradando ao público. Mas, na verdade, era o contrário. 

 

Desvantagem 3: Risco de desmotivar o colaborador 

Uma das propostas da avaliação 360 graus é tornar o processo mais justo. Todos falam e todos são ouvidos. 

Entretanto, esse método pode deixar algumas pessoas acuadas. Uns não se sentem confortáveis para avaliar seus superiores. Outros têm uma imagem distorcida de si mesmos. 

Sabe aquele colaborador que se considera especialista em tudo o que faz, mas na verdade ainda é iniciante? Ou aquele que tá sempre de picuinha com alguém, mas classifica seu relacionamento interpessoal com os colegas como excelente? 

São apenas alguns exemplos de profissionais que ao receber o resultado da avaliação 360 graus podem ficar desmotivados ou se sentirem injustiçados. 

O BBB 21 tinha uma participante que se encaixava nessa linha. Thaís não conseguia se comunicar com facilidade. Ficava apreensiva para falar em momentos de avaliações ou de tensão. 

Chegou a dizer que preferia o dia da eliminação (que todos evitam) do que a véspera, por conta de uma dinâmica onde os participantes avaliavam os colegas e se auto avaliavam. 

Agora que você já sabe o que é a avaliação 360 graus, suas vantagens e desvantagens, será que vale a pena aplicá-la na sua empresa? 

Lembrando que existem outros formatos, inclusive mais eficientes, como o feedback contínuo, a avaliação de desempenho por competências, dependendo da necessidade tem a matriz nine box.  

👉 Leia mais: Qual o melhor modelo de avaliação de desempenho + exemplos

 

Então como avaliar o desempenho dos colaboradores?

Para finalizar vou resgatar a famosa frase de Simon Sinek, que usamos muito na nossa comunicação:

100% dos clientes são pessoas. 

100% dos funcionários são pessoas. 

Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.

 

Portanto, a melhor ferramenta de avaliação para a sua empresa é aquela que considera as pessoas como únicas. Então, para não errar opte por alternativas que respeitem as individualidades. 

Isso não significa abandonar a avaliação 360 graus. Você pode fazê-la, mas também é imprescindível usar outros métodos mais regulares, como one-on-one ou feedforward

Há um tempo compartilhamos aqui no blog um e-mail do nosso CEO, Bruno Soares, sobre o futuro da Avaliação de Desempenho. É um texto mais antigo, mas que continua atual. Se você ainda tem dúvidas, vale a leitura!

Sobre o BBB, mudam as temporadas, mudam os participantes, mas a dinâmica continua a mesma: são pessoas diferentes, convivendo entre si. Muitas vezes essas pessoas não têm a cultura do feedback. 

Quando surge alguém que fala o que pensa de maneira respeitosa, que se dispõe a ouvir, essa pessoa costuma se destacar. 

Foi o caso da participante Juliette, do BBB 21, que esclareceu conflitos, com uma comunicação ágil e transparente, com 1:1s e feedbacks contínuos. 

Sempre se mostrou disposta para ouvir, aprender, melhorar, falar e repetir o processo quantas vezes fosse preciso. O público aprovou! 

👉 Leia mais: Como o feedback contínuo melhora as avaliações de desempenho

 

Professor, publicitário, pós-graduado em marketing digital, CMO & Co-founder na Feedz.
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