Metodologia DISC: por que e como saber o perfil dos colaboradores

Três colegas de trabalho olhando para o computador

Imagine reunir pessoas com personalidades, gostos e interesses completamente diferentes para conviver 24 horas por dia em isolamento. Experiências como essa existem e podem nos ajudar a entender o propósito da metodologia DISC. 

Você já ouviu falar em Biosfera 2? Esse foi um experimento científico, feito no fim do século passado, que reuniu oito pessoas para viver numa cápsula.

A ideia era criar um ecossistema artificial que fosse capaz de sobreviver em outros planetas. O isolamento não funcionou conforme o esperado. Dois anos depois o projeto foi desativado, mas deixou muitos aprendizados. 

Inclusive, o programa de TV Big Brother surgiu a partir do projeto Biosfera 2. O produtor holandês, John de Mol, percebeu que um reality show com pessoas de diferentes perfis poderia atrair a audiência

No projeto Biosfera 2 eram quatro homens e quatro mulheres, com idades entre 27 e 67 anos. Cada um tinha um conhecimento técnico. Um entendia de biologia, outro de botânica, tinha um médico, um técnico de sistemas, especialista em solo e agricultura.

A edição atual do reality show BBB reuniu 20 pessoas, com idades entre 20 e 35 anos. As profissões dos participantes também eram as mais variadas: ator, professor, cantor, dentista, comediante, fazendeiro, etc. 

Mesmo com propósitos muito distintos, o experimento científico, o reality show e a sua empresa têm algo em comum: são movidos pelo comportamento das pessoas.

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Gestão comportamental 

Durante muito tempo o mercado de trabalho exigiu o conhecimento técnico, também chamado de hard skill. Mais recentemente as características comportamentais e competências subjetivas, as soft skills, também passaram a ser consideradas.  

Agora as empresas já estão atentas às habilidades interpessoais desde o processo de recrutamento e seleção. E, com a pandemia da Covid-19 o termo real skills (competências reais) começou a ganhar mais espaço. 

Seth Godin, autor famoso no universo do marketing, é quem defende o termo real skills. Ele afirma que a palavra “soft” minimiza as competências comportamentais, que na verdade são imprescindíveis para os indivíduos e seus resultados. 

Atualmente as empresas buscam profissionais com competências híbridas: técnicas e comportamentais. Não basta apenas dominar sua atividade e se dar bem com os colegas de trabalho. 

É preciso saber lidar com eventuais críticas, não levar tudo para o lado pessoal, assumir riscos, ser gentil, agir com empatia, ser flexível e criativo, entre outras características.

metodologia DISC

Você deve estar se perguntando como vai descobrir o perfil dos colaboradores da sua empresa. É aí que entra a metodologia DISC. Ela é uma das ferramentas que podem ser usadas para fazer a gestão comportamental.

 

O que é a metodologia DISC?

A metodologia DISC é uma ferramenta para classificar o comportamento das pessoas a partir de quatro fatores: dominância, influência, estabilidade e conformidade.

Criada pelo Ph.D. em psicologia William Moulton Marston, a teoria DISC está entre os métodos mais utilizados no mundo inteiro. Ele classifica o comportamento das pessoas em relação a um ambiente ou situação.

Você se considera uma pessoa mais acelerada e expressiva ou cautelosa e reflexiva? Talvez seu perfil seja mais questionador e orientado às tarefas. Ou pode ser mais acolhedor e orientado às pessoas.

Mas, antes de avançarmos nesse assunto é importante ressaltar que cada pessoa é única. A proposta da metodologia DISC é apenas identificar os principais perfis comportamentais.

Essa ferramenta jamais deve ser usada para rotular alguém. Além disso, as pessoas passam por transformações ao longo da vida. Isso significa que uma pessoa pode ter perfis diferentes em cada fase da sua vida

Portanto a metodologia DISC deve ser usada apenas como um guia para facilitar a comunicação e a convivência. 

Conheça os principais fatores que representam a sigla DISC:

Dominância Fator ligado ao controle, poder e assertividade. Indica as atitudes da pessoa frente aos desafios. 
Influência Fator ligado à comunicação e às relações sociais. Indica como a pessoa influencia e é influenciada.
eStabilidade Fator ligado à paciência e à persistência. Indica a reação frente às mudanças. 
Conformidade Fator ligado à estrutura, fatos, detalhes e organização. Indica a maneira como a pessoa lida com regras e procedimentos. 

 

É possível fazer mais de um milhão de combinações utilizando diversas variáveis. Portanto, a teoria DISC não é uma verdade absoluta.

Mas existe uma estimativa de como a população seria dividida a partir do seu comportamento. Segundo a metodologia DISC a divisão ficaria assim:

  • Desenvolvedores – 7%
  • Promotores – 8%
  • Especialistas – 2%
  • Pensadores Objetivos – 7%
  • Perfeccionistas – 16%
  • Empreendedores – 1%
  • Agentes – 2%
  • Investigadores – 1%
  • Práticos – 5%
  • Inspirados – 11%
  • Orientados a resultados – 8%
  • Criativos – 18%
  • Persuasivos – 5%
  • Conselheiros – 5%
  • Avaliadores – 4%

Fonte: Dados extraídos do livro Flaps! Liderança AdaptÁgil

 

Como aplicar o método DISC? 

O questionário DISC é uma ferramenta de assessment. Ou seja, é um modelo de avaliação de perfil comportamental fornecido por empresas especializadas.

Portanto, se você pretende aplicar a metodologia DISC aí na sua empresa, o recomendado é buscar fornecedores sérios

Mas, se antes disso você quiser entender melhor como funciona o teste, existem algumas versões online e gratuitas.

Um exemplo é o questionário para descobrir seu estilo de comunicação, que segue a metodologia DISC e fornece um relatório gratuito.

Usualmente, os questionários apresentam perguntas como adjetivos que mais lhe representam e comportamentos que melhor lhe definem. A dica é ser honesto e não pensar muito! 

Vale lembrar que a teoria DISC avalia competências, mas não determina se um profissional é competente para executar determinada função ou não. 

 

10 vantagens de conhecer os perfis DISC

Quando vai presentear seus amigos você compra a mesma coisa para todos? Claro que não. Certamente você procura algo que a pessoa goste. Mesmo sem perceber você está demonstrando que essa pessoa é única. 

No ambiente corporativo não é diferente. Cada pessoa tem seus gostos, características e interesses. Então, não faz sentido tratar todo mundo igual

Isso vale desde o processo seletivo. Não é porque 50 pessoas se inscreveram para uma determinada vaga que você precisa entrevistar todo mundo. Primeiro você identifica quem tem realmente perfil para o cargo e só então avança para a próxima etapa. 

Quer outro exemplo? Nem todo mundo deseja se tornar um líder. Alguns profissionais querem seguir carreiras técnicas. Não há problema algum nisso. Porém, isso precisa estar explícito no momento de montar um PDI, por exemplo.

As motivações de cada pessoa são diferentes de acordo com o seu perfil. A forma como recebem as informações também. Por isso, é tão importante conhecer os perfis comportamentais.

Assim você evita fazer rodeios para ter uma conversa difícil com alguém que é super objetivo e direto. Da mesma forma, você já se prepara quando a pessoa gosta mais de falar do que ouvir e por aí vai.

Além de aperfeiçoar a comunicação corporativa, o DISC também é útil para outros aspectos. Listamos 10 vantagens de conhecer o perfil comportamental dos seus colaboradores (e candidatos). Confira:

1. Identificar se o candidato tem perfil adequado para a vaga

2. Tornar o processo seletivo mais ágil 

3. Fazer contratações mais efetivas

4. Reduzir o turnover

5. Mapear padrões comportamentais que auxiliem na tomada de decisão

6. Direcionar os colaboradores para cargos e funções que tenham mais afinidade

7. Oferecer os estímulos mais adequados nos treinamentos internos

8. Potencializar o aprendizado dos colaboradores

9. Desenvolver as lideranças

10. Direcionar o Plano de Desenvolvimento Individual

 

 

 

DISC na prática: características e comportamentos

Já percebeu que o jeito que conversamos com um adulto é diferente de como falamos com um bebê? E, quando precisamos nos comunicar com estrangeiros, usamos gestos que talvez não precisaríamos usar com pessoas que falam a mesma língua que nós.

metodologia DISC

Isso significa que adequamos a nossa linguagem para que a comunicação seja mais efetiva. Isso também deveria ser feito no momento de dar um feedback, em reuniões one-on-one e em várias outras situações. 

O escritor Stephen R. Covey sugere: “procure primeiro compreender, para depois ser compreendido”. 

Fazendo uma analogia com o DISC, poderíamos dizer: descubra primeiro qual é o perfil comportamental do seu colaborador, para então se comunicar com ele de forma mais efetiva

Cada um dos quatro fatores DISC possui características que se destacam no comportamento das pessoas. É importante dizer que alguns podem seguir um estilo mais “puro”, enquanto outros combinam mais de um.

Talvez o seu chefe seja predominantemente D, mas você reúne características de S e C. Seu colega de time é C, I e S.  

Confira as principais características de cada fator DISC:

 

Dominância

São pessoas diretas e objetivas. Geralmente se expressam falando o que deve ser feito. Tem um aperto de mão firme. Seu ambiente de trabalho costuma ser um pouco desorganizado. Mas, é aquela pessoa que se encontra na sua bagunça. Sabe onde está tudo o que precisa. Tende a agir de maneira impaciente e um pouco controladora. 

 

Influência

São aquelas pessoas entusiasmadas, que costumam falar mais do que ouvir, afinal são muito empolgadas. O aperto de mão é demorado. Já o ambiente de trabalho é cheio de coisas e também desorganizado. Costumam ter fotos que remetem a lugares ou pessoas (geralmente muitas pessoas).

 

eStabilidade

São aqueles que falam de maneira cordial. Gostam muito de ouvir, prestam atenção, refletem sobre o que ouviram para então se posicionar. Falam de forma pausada e são ótimos ouvintes. O aperto de mão demonstra cortesia. O ambiente de trabalho costuma ser organizado, com fotografias que valorizem os vínculos afetivos.

 

Conformidade

São pessoas bem apegadas às formalidades. Muito educadas, não gostam muito de falar. Preferem fazer comentários somente quando é extremamente necessário ou importante. Se expressam melhor escrevendo. O aperto de mão é breve. Seu ambiente de trabalho tende a ser impessoal e organizado. Seus arquivos costumam seguir uma lógica (alfabética ou cronológica).

 

Quem é quem na metodologia DISC

A essa altura do campeonato você já deve estar tentando descobrir qual é o seu perfil DISC e de algumas pessoas. 

Para entrar nessa brincadeira, vamos apresentar alguns exemplos famosos e destacar características de seus comportamentos.

 

Tipo D: Donald Trump

Donald Trump i'm not a good loser

O ex-presidente Donald Trump tem uma personalidade do tipo D. Tem características dominantes, ações decisivas, é um executor, competitivo. Seu contato visual é um pouco intimidador. Sua linguagem visual é mais rígida.

Outros exemplos: Margaret Thatcher, Michael Jordan, Marília Gabriela, Bernardinho, Amyr Klink, Oscar Schmidt.

 

Tipo I: Will Smith

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O ator Will Smith é um exemplo de personalidade I. É uma pessoa entusiasmada, influente, inspiradora e persuasiva. Gosta de interação, procura manter o contato visual amigável e sua linguagem corporal é aberta e expansiva.

 

Outros exemplos: Bill Clinton, Robin Williams, Galvão Bueno, Ivete Sangalo, Silvio Santos, Suzana Vieira.

 

Tipo S: David Beckham

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A personalidade do ex-jogador de futebol David Beckham é do tipo S. Sua firmeza e estabilidade são características que se sobressaem. Além disso, é sincero e solidário. Mantém o contato visual mais periférico e sua linguagem corporal são gestos tranquilos.

 

Outros exemplos: Madre Teresa, Gandhi, Milton Nascimento, Eduardo Suplicy, José Roberto Guimarães, Reginaldo Leme.

 

Tipo C: Bill Gates

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O bilionário Bill Gates é um exemplo do perfil C. Ele é objetivo e direto ao mesmo tempo em que é cuidadoso. Tende a evitar o contato visual ou desviar o olhar. Mas, se tem certeza do que está falando, olha fixamente. Sua linguagem corporal é mais contida.

Outros exemplos: Albert Einstein, Clint Eastwood, Chico Buarque, José Serra, Carlos Alberto Parreira, Miriam Leitão. 

Como você percebeu ao longo do texto, o comportamento de cada pessoa diz muito sobre o seu estilo de liderança ou suas atitudes no dia a dia.

Usar a metodologia DISC ou outra ferramenta de análise comportamental ajuda as pessoas a se tornarem mais autoconscientes, reconhecendo seus pontos fortes e fracos. 

Isso pode fazer muita diferença. Um artigo publicado pela Harvard Business Review afirma que as ferramentas de avaliação de comportamento podem antecipar o sucesso ou fracasso de um grupo, a partir de suas características

Portanto, fica essa reflexão: líderes que conhecem emocionalmente seus times conseguem minimizar conflitos e potencializar os resultados. Isso tem acontecido aí na sua empresa?

Professor, publicitário, pós-graduado em marketing digital, CMO & Co-founder na Feedz.
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