Janeiro branco: a saúde mental como prioridade nas empresas

janeiro branco

Campanhas relacionando meses e cores a favor de uma causa já são bem conhecidas. Elas criam um diálogo sobre assuntos importantes e promovem ações para conscientizar as pessoas e desmistificar tabus em torno de temas sensíveis. O Janeiro Branco faz parte dessas campanhas que têm ganhado a atenção dos brasileiros. Você conhece?

A iniciativa pretende dar luz à importância da saúde mental e incentivar empresas e instituições a debaterem o assunto logo no começo do ano.

Neste post falaremos mais sobre o que é o Janeiro Branco e dar dicas práticas de como as empresas podem melhorar a saúde mental de seus colaboradores. Vem com a gente!

 

O que é Janeiro Branco?

O foco do Janeiro Branco é a saúde mental. A campanha nasceu em 2014 e tem como objetivo ajudar na prevenção e tratamento de doenças mentais, quebrando tabus como a vergonha de fazer terapia, que ansiedade não é algo sério ou ainda que depressão é “falta de ter o que fazer”, como muitas pessoas já ouviram.

A campanha foi criada por um grupo de psicólogos de Minas Gerais que, a princípio, abordavam pessoas na rua dando pequenas palestras sobre saúde mental para tentar criar uma cultura sobre o tema.

O mês de janeiro e a cor branca foram escolhidos pela campanha pois ambos representam um recomeço. O começo do ano é uma época em que as pessoas costumam fazer planos e traçar metas para os próximos meses, como se fosse uma folha em branco pronta para ser preenchida. 

Com o lema “Quem cuida da mente, cuida da vida”, a campanha se expandiu e chegou a outras cidades e países, como Portugal, Estados Unidos e Japão. O alcance da iniciativa mostra a urgência do assunto e a necessidade que as pessoas sentem de falar sobre isso. 

Doenças mentais nem sempre foram levadas a sério e, em muitos casos, pessoas sentiam vergonha de serem julgadas ou demonstrarem suas fraquezas. Porém, em  uma sociedade hiperconectada e exposta à informação o tempo todo, não existe mais espaço para preconceitos, o que aumenta a curiosidade das pessoas sobre o tema e a preocupação em cuidar da mente assim como já se faz com o corpo há muito tempo.

 

A importância de se falar em saúde mental no Brasil

Estamos acostumados a viver em uma sociedade que cobra o sucesso e julga o mérito o tempo todo. Além disso, a “ditadura da felicidade”, imposta pelas redes sociais, faz as pessoas acreditarem que no processo de desenvolvimento pessoal e crescimento profissional tudo é perfeito, e que os resultados são fáceis de alcançar.

Isso emana uma mensagem de que as pessoas não alcançam o sucesso ou não têm uma vida perfeita porque não se esforçam o suficiente, desencadeando problemas como ansiedade, depressão e estresse.

Esse contexto pode ser traduzido em números: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão. Isso representa cerca de 5,8% da população. O potencial de alcance da doença, entretanto, é muito maior. A pesquisa diz que cerca de 20% a 25% da população tem propensão a se tornar depressiva. 

Quando o assunto é ansiedade, a doença atinge cerca de 20 milhões de brasileiros, 9,3% da população. O resultado mais sério desses males, o suicídio, já é considerado pelo Ministério da Saúde como a quarta principal causa de morte entre os jovens.

Se o problema já era grande e sério, durante a pandemia ele piorou. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul:

  • 80% dos entrevistados disseram estar mais ansiosos depois do começo da pandemia;
  • 65% disseram sentir mais raiva;
  • 50% tiveram alteração de sono;
  • 63% tiveram sintomas somáticos, como dor de estômago. 

“A principal conclusão da pesquisa foi que, nesse período de pandemia, as pessoas desenvolveram ou aumentaram – quem já tinha – sintomas de estresse, ansiedade ou depressão. Isso foi bem marcante, até porque, quando se comparam os nossos dados com os de outros países, como Itália e China, 80% da população da nossa amostra chegaram a reportar sintomas moderados a graves de ansiedade e 68%, depressão”, disse a professora da UFRGS Adriane Ribeiro Rosa, coordenadora da pesquisa, à Agência Brasil.

Apesar do cenário alarmante, existem poucos programas governamentais que debatam o tema e ofereçam apoio para prevenir e tratar as doenças mentais de forma humanizada e com a seriedade e periodicidade devida.

 

Saúde mental nas empresas

Dentro das empresas o cenário é parecido: muitos casos e pouco apoio. De acordo com dados da Previdência Social, em 2017, a depressão foi a décima causa de afastamentos do trabalho, o que refletiu em mais de 43 mil auxílios-doença.

Uma pesquisa da Isma-Br dá uma pista sobre a causa desse número elevado de afastamentos: o estudo mapeou que 70% da população ativa brasileira sofre com excesso de estresse. A mesma instituição apresentou outra pesquisa que diz que 30% das pessoas economicamente ativas já apresentaram quadros de burnout.

Os afastamentos e adoecimento da força de trabalho representa um grande problema para os negócios. As empresas que não se preocupam com a saúde mental de seus colaboradores acabam por corroborar com um quadro que prejudica seu próprio faturamento. 

Colaboradores estressados, ansiosos ou com outras doenças mentais apresentam desempenho abaixo da média, o que, além de diminuir o rendimento da empresa, acaba por sobrecarregar outros profissionais, aumentando as chances destes também desenvolverem transtornos mentais por conta do aumento de pressão, sobrecarga e pouca valorização.

Esse quadro é resultado de organizações que não têm uma cultura de bem-estar forte, priorizando o lucro às pessoas, e entre as consequências podemos citar:

  • desmotivação no ambiente de trabalho;
  • redução da produtividade dos colaboradores;
  • aumento da rotatividade e índice turnover;
  • afastamento dos colaboradores;
  • possibilidade de ações e processos trabalhistas.

O modelo antigo que trata os colaboradores como números, portanto, não é vantajoso para ninguém, mas em especial é problemático para as pessoas que se sentem desmotivadas e podem desencadear sérios problemas psicológicos.

Todas as empresas que têm como princípio criar um ambiente de trabalho saudável, valorizando os profissionais, a sua saúde e bem-estar no meio corporativo, precisam ter planos e criar ações para prevenir e tratar e prevenir doenças mentais.

Na pandemia isso se tornou ainda mais evidente, já que o home office instaurado para tentar conter o avanço do coronavírus tem contribuído para o adoecimento mental dos profissionais.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo LinkedIn:

  • 66% dos trabalhadores disseram fazer pelo menos uma hora extra por dia em home office;
  • 24% se sentem pressionados para responder mensagem mais prontamente;
  • 18% se preocupam em mostrar que estão ocupados para não perder o emprego. 

 

Dicas para o Janeiro Branco

Dentro desse contexto, campanhas de Janeiro Branco se fazem ainda mais importantes nas instituições. As empresas podem usar a campanha para iniciar ou aproximar a conversa sobre saúde mental com seus colaboradores.

Ah, e vale lembrar que iniciativas para mapear e ajudar a tratar doenças mentais devem permear as ações de forma constante, e não ser uma ação pontual só no primeiro mês do ano, ein? 

Somente assim os profissionais vão criar um laço de confiança com a empresa que permitirá que sejam sinceros e não tenham medo de expor suas preocupações e problemas que podem desencadear uma doença mental.

Além disso, tornando as práticas constantes, a empresa consegue ajudar na prevenção do desenvolvimento dessas doenças e cuidar mais de perto dos colaboradores durante todo o ano.

Vamos ver exemplos de algumas ações que podem ser realizadas para aderir ao Janeiro Branco:

 

1. Criar espaços de troca

Muitas vezes os funcionários não conseguem perceber sozinhos que a angústia e desânimo que sentem são sintomas de doenças mentais, ou ainda criam um comparativo irreal com seus colegas, achando que só eles passam por tais sofrimentos para conseguir atingir o objetivo esperado.

Criar espaços de conversa, principalmente no Janeiro Branco, ajuda no compartilhamento de experiências, o que pode acender um alerta para o colaborador procurar ajuda ou ainda pode fazer com que ele entenda que não está sozinho.

 

2. Oferecer acompanhamento com psicólogos

A inteligência emocional tem sido muito abordada nos últimos tempos, mas para desenvolvê-la é preciso um acompanhamento constante a fim de os profissionais aprenderem a ressignificar sentimentos.

Oferecer auxílio psicológico pode ser uma forma da empresa ajudar nesse quesito, além de se mostrar preocupada com a saúde mental dos profissionais. Aqui na Feedz, por exemplo, cada Parrot pode solicitar um auxílio de até R$ 100 por mês para cobrir os custos com terapia ou consultas que envolvem a saúde mental.

 

3. Treinamento e cultura de bem-estar

Ajudar os gestores a perceberem sinais de doenças mentais e abordarem de forma correta os profissionais também é uma ação que tem potencial de gerar um impacto positivo na organização.

Para isso funcionar, no entanto, é preciso que a cultura tenha a preservação da saúde mental como um dos seus pilares, criando práticas que ajudem a prevenir o estresse e a ansiedade.

 

4. Abra os canais de comunicação

Programas de feedback servem também para ajudar nesse quesito. Ao mostrar interesse pelos problemas do colaborador e empenhado a ajudar a resolvê-los, o profissional se sente acolhido e cria uma relação de confiança.

Essa precisa ser uma relação de ganha-ganha: a empresa ganha com o tempo de qualidade que o profissional dispõe para a empresa e o colaborador ganha com um ambiente saudável e preocupado com o seu bem-estar. 

E por aí, como são as ações para preservar a saúde mental dos colaboradores? Conte para gente.

Professor, publicitário, pós-graduado em marketing digital, CMO & Co-founder na Feedz.
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