Janeiro branco: 15 ações para melhorar a saúde mental no trabalho

Janeiro branco é o nome dado ao mês que visa conscientizar a importância de cuidar da saúde mental.

Campanhas relacionando meses e cores a favor de uma causa já são bem conhecidas e o Janeiro Branco faz parte dessas campanhas que têm ganhado a atenção dos brasileiros. 

Você conhece?

A iniciativa pretende dar luz à importância da saúde mental e incentivar empresas e instituições a debaterem o assunto logo no começo do ano.

Neste post falaremos mais sobre o que é o Janeiro Branco e dar 15 dicas práticas de como as empresas podem melhorar a saúde mental de seus colaboradores. 

Vem com a gente!

O que é Janeiro Branco?

O foco do Janeiro Branco é a saúde mental. 

A campanha nasceu em 2014 e tem como objetivo ajudar na prevenção e tratamento de doenças mentais, quebrando tabus como a vergonha de fazer terapia, que ansiedade não é algo sério ou ainda que depressão é “falta de ter o que fazer”, como muitas pessoas já ouviram.

A campanha foi criada por um grupo de psicólogos de Minas Gerais que, a princípio, abordavam pessoas na rua dando pequenas palestras sobre saúde mental para tentar criar uma cultura sobre o tema.

O mês de janeiro e a cor branca foram escolhidos pela campanha pois ambos representam um recomeço. 

O começo do ano é uma época em que as pessoas costumam fazer planos e traçar metas para os próximos meses, como se fosse uma folha em branco pronta para ser preenchida. 

Com o lema “Quem cuida da mente, cuida da vida”, a campanha se expandiu e chegou a outras cidades e países, como Portugal, Estados Unidos e Japão. 

O alcance da iniciativa mostra a urgência do assunto e a necessidade que as pessoas sentem de falar sobre isso. 

Doenças mentais nem sempre foram levadas a sério e, em muitos casos, as pessoas sentiam vergonha de serem julgadas ou demonstrarem suas fraquezas. 

Porém, em uma sociedade hiperconectada e exposta à informação o tempo todo, não existe mais espaço para preconceitos, o que aumenta a curiosidade das pessoas sobre o tema e a preocupação em cuidar da mente assim como já se faz com o corpo há muito tempo.

 

A importância de se falar em saúde mental no Brasil

Estamos acostumados a viver em uma sociedade que cobra o sucesso e julga o mérito o tempo todo. 

Além disso, a “ditadura da felicidade”, imposta pelas redes sociais, faz as pessoas acreditarem que no processo de desenvolvimento pessoal e crescimento profissional tudo é perfeito, e que os resultados são fáceis de alcançar.

Isso emana uma mensagem de que as pessoas não alcançam o sucesso ou não têm uma vida perfeita porque não se esforçam o suficiente, desencadeando problemas como ansiedade, depressão e estresse.

Esse contexto pode ser traduzido em números: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão. Isso representa cerca de 5,8% da população. O potencial de alcance da doença, entretanto, é muito maior. A pesquisa diz que cerca de 20% a 25% da população tem propensão a se tornar depressiva. 

Quando o assunto é ansiedade, a doença atinge cerca de 20 milhões de brasileiros, 9,3% da população. O resultado mais sério desses males, o suicídio, já é considerado pelo Ministério da Saúde como a quarta principal causa de morte entre os jovens.

Se o problema já era grande e sério, durante a pandemia ele piorou. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul:

  • 80% dos entrevistados disseram estar mais ansiosos depois do começo da pandemia;
  • 65% disseram sentir mais raiva;
  • 50% tiveram alteração de sono;
  • 63% tiveram sintomas somáticos, como dor de estômago. 

“A principal conclusão da pesquisa foi que, nesse período de pandemia, as pessoas desenvolveram ou aumentaram – quem já tinha – sintomas de estresse, ansiedade ou depressão. 

Isso foi bem marcante, até porque, quando se comparam os nossos dados com os de outros países, como Itália e China, 80% da população da nossa amostra chegaram a reportar sintomas moderados a graves de ansiedade e 68%, depressão”, disse a professora da UFRGS Adriane Ribeiro Rosa, coordenadora da pesquisa, à Agência Brasil.

Apesar do cenário alarmante, existem poucos programas governamentais que debatam o tema e ofereçam apoio para prevenir e tratar as doenças mentais de forma humanizada e com a seriedade e periodicidade devida.

 

Janeiro branco e a saúde mental nas empresas

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Dentro das empresas o cenário é parecido: muitos casos e pouco apoio. 

De acordo com dados da Previdência Social, em 2017, a depressão foi a décima causa de afastamentos do trabalho, o que refletiu em mais de 43 mil auxílios-doença.

Uma pesquisa da Isma-Br dá uma pista sobre a causa desse número elevado de afastamentos: o estudo mapeou que 70% da população ativa brasileira sofre com excesso de estresse. A mesma instituição apresentou outra pesquisa que diz que 30% das pessoas economicamente ativas já apresentaram quadros de burnout.

Os afastamentos e adoecimento da força de trabalho representam um grande problema para os negócios. As empresas que não se preocupam com a saúde mental de seus colaboradores acabam por corroborar com um quadro que prejudica seu próprio faturamento. 

Colaboradores estressados, ansiosos ou com outras doenças mentais apresentam desempenho abaixo da média, o que, além de diminuir o rendimento da empresa, acaba por sobrecarregar outros profissionais, aumentando as chances destes também desenvolverem transtornos mentais por conta do aumento de pressão, sobrecarga e pouca valorização.

Esse quadro é resultado de organizações que não têm uma cultura de bem-estar forte, priorizando o lucro às pessoas, e entre as consequências podemos citar:

  • desmotivação no ambiente de trabalho;
  • redução da produtividade dos colaboradores;
  • aumento da rotatividade e índice turnover;
  • afastamento dos colaboradores;
  • possibilidade de ações e processos trabalhistas.

 

O modelo antigo que trata os colaboradores como números, portanto, não é vantajoso para ninguém, mas em especial é problemático para as pessoas que se sentem desmotivadas e podem desencadear sérios problemas psicológicos.

Todas as empresas que têm como princípio criar um ambiente de trabalho saudável, valorizando os profissionais, a sua saúde e o bem-estar no trabalho, precisam ter planos e criar ações para prevenir e tratar e prevenir doenças mentais.

Na pandemia isso se tornou ainda mais evidente, já que o home office instaurado para tentar conter o avanço do coronavírus tem contribuído para o adoecimento mental dos profissionais.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo LinkedIn:

  • 66% dos trabalhadores disseram fazer pelo menos uma hora extra por dia em home office;
  • 24% se sentem pressionados para responder mensagem mais prontamente;
  • 18% se preocupam em mostrar que estão ocupados para não perder o emprego.

20 atividades do mês de conscientização sobre saúde mental no local de trabalho

Dentro desse contexto, campanhas de Janeiro Branco se tornam ainda mais importantes nas instituições. As empresas podem usar a campanha para iniciar ou aproximar a conversa sobre saúde mental com seus colaboradores.

Ah, e vale lembrar que iniciativas para mapear e ajudar a tratar doenças mentais devem permear as ações de forma constante, e não ser uma ação pontual só no primeiro mês do ano. 

Somente assim os profissionais vão criar um laço de confiança com a empresa que permitirá que sejam sinceros e não tenham medo de expor suas preocupações e problemas que podem desencadear uma doença mental.

Além disso, tornando as práticas constantes, a empresa consegue ajudar na prevenção do desenvolvimento dessas doenças e cuidar mais de perto dos colaboradores durante todo o ano.

Vamos ver exemplos de algumas ações que podem ser realizadas para aderir ao Janeiro Branco:

 

1. Criar espaços de troca

Muitas vezes os funcionários não conseguem perceber sozinhos que a angústia e desânimo que sentem são sintomas de doenças mentais, ou ainda criam um comparativo irreal com seus colegas, achando que só eles passam por tais sofrimentos para conseguir atingir o objetivo esperado.

Criar espaços de conversa, principalmente no Janeiro Branco, ajuda no compartilhamento de experiências, o que pode acender um alerta para o colaborador procurar ajuda ou ainda pode fazer com que ele entenda que não está sozinho.

 

2. Oferecer acompanhamento com psicólogos

A inteligência emocional tem sido muito abordada nos últimos tempos, mas para desenvolvê-la é preciso um acompanhamento constante a fim de os profissionais aprenderem a ressignificar sentimentos.

Oferecer auxílio psicológico pode ser uma forma da empresa ajudar nesse quesito, além de se mostrar preocupada com a saúde mental dos profissionais. Aqui na Feedz, por exemplo, cada Parrot pode solicitar um auxílio de até R$ 100 para cobrir os custos com terapia ou consultas que envolvem a saúde mental.

 

3. Treinamento e cultura de bem-estar

Ajudar os gestores a perceberem sinais de doenças mentais e abordarem de forma correta os profissionais também é uma ação que tem potencial de gerar um impacto positivo na organização.

Para isso funcionar, no entanto, é preciso que a cultura tenha a preservação da saúde mental como um dos seus pilares, criando práticas que ajudem a prevenir o estresse e a ansiedade.

Saúde mental dos colaboradores e pesquisa de clima

 

4. Abrir os canais de comunicação

Programas de feedback servem também para ajudar nesse quesito. Ao mostrar interesse pelos problemas do colaborador e empenhado a ajudar a resolvê-los, o profissional se sente acolhido e cria uma relação de confiança.

Essa precisa ser uma relação de ganha-ganha: a empresa ganha com o tempo de qualidade que o profissional dispõe para a empresa e o colaborador ganha com um ambiente saudável e preocupado com o seu bem-estar. 

Ebook sobre feedbacks

5. Incentivar o desafio da gratidão

Uma prática regular de gratidão melhora o otimismo e melhora o humor. 

Aqueles que fazem isso de forma consistente tendem a se sentir melhor no geral. Peça a seus funcionários para participar de um desafio de gratidão. 

Isso pode ser tão simples quanto fazer um diário sobre três coisas pelas quais eles são gratos todas as noites. Ou você pode ter um quadro de avisos virtual ou presencial onde os colaboradores deixam notas anônimas do que são gratos.

 

6. Promover a prática de atividades físicas

Embora possamos ficar mais dentro de casa atualmente, é importante manter um estilo de vida saudável e ativo. 

Promova palestras sobre atividades físicas para seus funcionários entenderem os valores do exercício. 

Por exemplo, a ioga é uma ótima maneira de conectar a mente e o corpo, pois reduz muitas condições crônicas de saúde. 

Uma ideia aqui é adicionar o logotipo da sua empresa a um tapete de yoga personalizado ou a outros itens de condicionamento físico, como um kit de exercícios para seus colaboradores.

 

7. Ajudar a formar hábitos tecnológicos saudáveis

A tecnologia faz parte da vida. 

No total, estudos mostram que a maioria das pessoas passam cerca de 12 horas na frente de telas por dia (celular, computador, televisão…), fazendo com que consuma cerca de cinco vezes mais informações do que alguém de sua idade consumiria há 50 anos. 

Isso tem um impacto drástico na saúde mental, pois o cérebro só pode filtrar e absorver um determinado número de informações.

O tempo nas redes sociais, em particular, afetou a maneira como interagimos com as pessoas e nossa saúde mental em geral. 

Com isso em mente, é bom ajudar os funcionários a ver como o tempo de tela pode estar afetando seus padrões de sono, níveis de estresse e capacidade de consumir informações logicamente e como tudo isso pode ser uma coisa terrível para sua saúde mental.

 

8. Fazer um exame de depressão e ansiedade

Para funcionários que podem estar lidando com mais estresse do que nunca, uma triagem de depressão e ansiedade pode ser exatamente o que eles precisam para descobrir a melhor forma de lidar com seus problemas. 

Trazer profissionais licenciados que possam administrar questionários e fornecer feedback qualificado é um grande passo.

O primeiro passo para resolver os problemas de saúde mental é identificá-los; uma triagem e um exame podem fazer exatamente isso. 

Um profissional de saúde mental pode recomendar o curso de ação correto a ser seguido a partir daí, seja uma indicação a um terapeuta/conselheiro, estratégias de gerenciamento de estresse ou intervenção médica.

 

9. Introduzir políticas inclusivas

Como sua empresa planeja lidar com os vários problemas de saúde mental se não estiver preparada com políticas em torno dos mesmos?

Sem nenhuma política de saúde mental em vigor, sua organização está perdendo uma oportunidade significativa.

De que outra forma você evitaria a discriminação, o assédio ou a prevalência de estereótipos de saúde mental no local de trabalho? Não tem como, certo?

Além disso, na ausência de políticas sólidas, os funcionários não verão a gravidade da situação. Alguns podem lutar silenciosamente, pois não tem motivação para falar.

A conscientização sobre a saúde mental pode ser disseminada quando existem políticas rígidas relacionadas a ela. Dessa forma, toda a organização levará o assunto a sério.

No entanto, se você tiver políticas específicas sobre saúde mental, por favor, revise-as. Veja se você pode melhorá-los de maneiras melhores para apoiar seus funcionários.

 

10. Treinar os líderes

A conscientização sobre a saúde mental entre os funcionários não é a única coisa a ser feita. Até mesmo a administração deve ter um entendimento adequado sobre o assunto. 

Pregar sobre saúde mental não é tudo. A cultura da empresa também precisa ser atualizada ao mesmo tempo.

Sim, esse é o primeiro passo. A cultura do local de trabalho também deve evoluir.

Os líderes e gestores devem receber treinamento apropriado para ajudar os funcionários a identificar seus problemas de saúde mental, se houver, e intervir com soluções. O treinamento relevante é necessário porque cada funcionário é diferente.

Para ser um bom líder, deve-se tentar decifrar o problema de cada funcionário e conscientizá-lo, oferecendo um suporte adequado.

Infográfico Como CEOs podem apoiar a saúde mental dos colaboradores

11. Desafiar os colaboradores a dormir 8 horas por dia

Você sabia que muitos rastreadores de condicionamento físico populares também rastreiam a duração e a qualidade do sono? As empresas podem criar um desafio de sono para apoiar a saúde mental dos colaboradores.

Esse desafio pode ser feito com ou sem rastreadores de atividade, apenas peça para uma pessoa se encarregar de coletar os dados do sono dos participantes. 

A empresa pode apoiar os funcionários compartilhando melhores dicas para dormir ao longo do desafio.

Nesse contexto, algumas ideias gratuitas ou de baixo custo que a empresa pode fornecer são:

  • Máscaras de dormir
  • Chá de Camomila e Lavanda
  • Pausas para a soneca

Algumas ideias de prêmio para o vencedor do desafio:

  • Novo colchão
  • Travesseiro de alta qualidade
  • Rastreador de condicionamento físico com funções de sono

 

12. Adicionar pelo menos uma planta na mesa de cada um

Trazer um pouco de verde para o seu escritório pode ter vários benefícios. 

Muitas plantas ajudam na qualidade do ar, servem como um local relaxante para descansar os olhos ou embelezam um escritório. 

Pensando nisso, reserve tempo para que toda a sua equipe se reúna para fazer seu próprio plantio de flores e/ou plantas para personalizar sua mesa.

 

13. Corrida de cadeira improvisada

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Os programas de saúde mental e bem-estar não precisam ser sérios. Injetar um pouco de diversão no dia a dia de seus funcionários pode ajudar a aliviar o estresse e dar uma folga do trabalho monótono.

Surpreenda seus funcionários com uma corrida de cadeiras de escritório improvisada apenas por diversão. Revezem-se e ofereçam prêmios engraçados para os participantes.

 

14. Tomar sol

Quando o tempo estiver bom, programe um “recesso” diário para seus funcionários. 

Incentive-os a reservar 15 a 20 minutos para sair para esticar as pernas e aproveitar o sol.

Outra maneira de fornecer aos seus funcionários um pouco de vitamina D extra durante os meses de verão é organizar reuniões de equipe ao ar livre.

 

15. Se voluntariar para ajudar o próximo

Provavelmente, muitos de seus funcionários são amantes de animais e aproveitariam a chance de ajudar alguns amigos peludos necessitados. Pergunte aos abrigos de animais locais como sua empresa pode ajudar como um grupo. 

Muitos abrigos precisam de voluntários que possam ajudar durante a semana de trabalho, então considere dar um dia de folga do trabalho para os colaboradores ajudarem como voluntários.

Se você não puder dedicar um dia inteiro ao trabalho voluntário, organize um almoço onde todos os seus funcionários se reúnam para doar brinquedos ou cobertores para os animais que ficam nos abrigos. 

Pesquise suas organizações locais para descobrir o que elas mais precisam! Os animais agradecem e quem ajuda se sente renovado.

Guia Completo_ Saúde Mental nas Empresas

E por aí, como são as ações para promover e preservar a saúde mental dos colaboradores? Conte para gente.

 

Gabriel Leite

Gabriel Leite

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