Feedback contínuo: tire a sua empresa do passado

Feedback contínuo: tire a sua empresa do passado

Cada vez mais os processos dentro das empresas são feitos de forma fluída. Aquela imagem de organização engessada, cheia de burocracias e sem comunicação entre os níveis hierárquicos tem ficado para trás. Isso porque os gestores perceberam que no modelo antigo era, e ainda é, raro um profissional engajado com a empresa. O que gera falta de proatividade e comprometimento com o desenvolvimento do negócio.

Entre tantos processos que foram aos poucos sendo modificados para inserir o colaborador em um ambiente estimulante, está o feedback. A prática de dar retornos frequentes sobre as atividades e comportamentos dos funcionários está mudando de forma. Antes a ação era vista como um modo de “puxar a orelha” de quem tivesse feito algo que não condizia com a expectativa do gestor.

Além disso, estes retornos eram dados, na maior parte das vezes, apenas no fim de cada ciclo. Dessa forma, o erro demorava para ser corrigido e poderia acontecer outras vezes durante o meio tempo de uma reunião de feedback e outra.

Contamos essa história no passado porque acreditamos que é nele que esse modelo de retornos ficou. Grande parte das instituições já entenderam que o feedback é uma ferramenta para nortear as ações dos colaboradores e, sendo assim, deve ser dado continuamente, exaltando boas práticas e corrigindo condutas equivocadas.

 

Feedback no presente

De acordo com um estudo global do Top Employers Institute realizado com 600 empresas de 99 países, os profissionais que estão no mercado hoje  consideram o feedback regular e os processos transparentes melhores do que as práticas tradicionais de revisões anuais de desempenho. No Brasil, as 26 empresas entrevistadas, que são responsáveis por empregar mais de 300 mil pessoas, afirmaram que já treinam seus gerentes para dar feedbacks contínuos e construtivos.

O dado espelha uma mudança de mentalidade que visa a construção conjunta do desenvolvimento dos negócios. Colaboradores que entendem o que estão fazendo de correto e onde precisam melhorar, trabalham de forma mais engajada, se sentem mais valorizados e têm como horizonte o mesmo objetivo da empresa em que atuam.

Para as empresas, o resultado também é positivo. De acordo com a consultoria Gallup, funcionários que partilham do mesmo ideal da empresa e se sentem realizados nas mesmas têm um desempenho 147% melhor do que os que não estão engajados.

Dando ritmo à conversa

A continuidade dos feedbacks é essencial para potencializar os resultados dessa ferramenta de engajamento. Como falamos anteriormente, não basta marcar conversas no fim de cada ciclo, assim como não adianta os retornos virem somente de cima para baixo. A ação para ser aproveitada 100% precisa ser contínua e horizontal.

Com base na metodologia ágil, muito utilizada nas empresas inovadoras como Spotify e Google, os erros podem acontecer, e até devem, mas precisam ser ajustados de forma quase que instantânea. Feedbacks constantes ajudam a todos da empresa se manterem alinhados e a apararem as arestas de forma rápida, para a engrenagem continuar rodando. Além disso, a ação permite que boas práticas sejam comemoradas e valorizadas a todo o momento, mostrando o caminho em que continuar.

A horizontalidade é outro valor importante. Assim como os funcionários erram e acertam a todo instante, os líderes também os fazem. Um canal de conversa entre as camadas hierárquicas aberto evita ruídos de comunicação, aproxima equipes e incentiva a visão de que estão todos juntos trabalhando por um mesmo objetivo, sendo assim, todos podem sugerir mudanças e comemorar conquistas.

 

Como fazer?

Você deve estar pensando “tá, feedbacks são importantes, devem ser feitos de forma contínua e horizontal, entendi. Mas como faço isso no dia a dia? Quantas horas do meu dia terei que destinar a isso?”

A resposta é: bem menos do que você imagina.

Justamente por serem constantes, os feedbacks não devem tomar muito tempo nem dos gestores, nem dos colaboradores. Diferente das reuniões de retorno e alinhamento que acabam tomando longas horas, ajustar e celebrar ações continuamente é rápido e objetivo.

Se feito pessoalmente, pode ser realizado em um momento informal, mas com a seriedade de um feedback – é importante que não se confunda este conceito com o de uma “dica de amigo”. Outra forma pode ser por meio de de reuniões rápidas e pontuais, que discutam ações específicas. Neste caso, é importante se atentar no que dissemos anteriormente sobre o objetivo destes alinhamentos contínuos: a ideia é celebrar ou ajustar ações recentes e pontuais, se as reuniões se tornarem longas, vagarosas e retomarem pontos já discutidos, o feedback contínuo perde a propriedade de imprimir agilidade na empresa.

Há quem prefira fazer estes momentos em forma de dinâmica. Grupos de pessoas de uma mesma equipe se reúnem e apontam o que de positivo ou negativo destacam em cada indivíduo. O gestor precisa ter cuidado nestes casos para avaliar o que é de fato relevante e não deixar o momento virar, como diz a linguagem popular, uma “lavação de roupas sujas”. Quando feita de maneira correta, a dinâmica se torna uma boa opção de feedback 360º interno, uma vez que cada colaborador terá a visão de seus gestores e colegas sobre o seu desempenho. Além disso, a ação não deve ocupar muito o tempo da equipe.

Outra opção é o uso de ferramentas onlines para este fim. Por meio delas as pessoas podem deixar algum comentário construtivo para um colega, liderado, subordinado ou superior. Assim, o feedback é feito instantaneamente e de forma recorrente. Além disso, uma vantagem deste método é que por meio de plataformas é possível ter acesso ao histórico de feedbacks, podendo o colaborador identificar se evoluiu em determinado ponto ou se permanece com uma dificuldade específica – neste caso fica mais fácil de saber que tipo de auxílio procurar para se desenvolver profissionalmente.

 

Construindo hábitos

Entendendo qual o melhor formato de feedback contínuo para sua empresa, o maior desafio é tornar essa ação um hábito. Os benefícios do alinhamento recorrente são muitos, mas muitas vezes subjetivos e a longo prazo, desta forma, pode ser difícil engajar todos da empresa.

Mesclar feedbacks positivos e negativos pode ser uma saída, afinal, nenhum colaborador vai se engajar se só receber críticas, não é mesmo? Além disso, propor soluções construtivas quando o assunto é mais negativo, ajuda a motivar a busca por desenvolvimento pessoal.

A horizontalidade é essencial neste processo, o feedback vai se tornar natural quando todos se sentirem à vontade para alinhar as ações com todos, independente da hierarquia organizacional.

Gamificação também é uma boa ideia para incentivar as conversas. Estipular pontos a cada feedback recebido ou dado, ajuda as pessoas a tornarem frequente este comportamento. O interessante é que estes pontos somados valham algum benefício.

Na prática!

Agora que você já entende a importância do feedback recorrente, sabe formas de implementá-lo na empresa sem ocupar o tempo de trabalho e como engajar as pessoas nesta ação, que tal tentar com a sua equipe? Se tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar os resultados, entre em contato conosco.

 

Fotos: Pexels

Gif: Giphy

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