E quem olha para os profissionais de RH?

Muito se fala sobre a importância de manter os colaboradores engajados e motivados para o negócio alcançar bons resultados. É papel dos profissionais de recursos humanos olhar para essas questões, de modo cada vez mais analítico, baseado em dados e estratégico, a fim de entender as necessidades dos colaboradores e criar um ambiente saudável e agradável de trabalho. Mas, e quem olha para os profissionais de RH?

 

De acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil) em parceria  com as consultorias Mapa de Talentos e Waggl Brasil, 73% dos gestores de RH se sentem ansiosos, muito por conta da situação econômica do país. A pesquisa foi realizada antes da pandemia do novo coronavírus, mas seus resultados só são potencializadas na conjuntura atual. 

 

A incerteza e a pressão por resultados são itens elencados como os maiores causadores dessa ansiedade. E muito disso tem a ver com redução do quadro de funcionários. Para os gestores de RH essa medida tem peso triplo: além de passarem pelo desgaste emocional de fazer o desligamento de pessoas, a diminuição da força de trabalho sobrecarrega os outros colaboradores, que ficam mais insatisfeitos e buscam no RH a solução desse problema. Por outro lado, menos profissionais também na área de recursos humanos sobrecarrega quem atua nessa frente. 

 

Esse cenário deixa os gestores e quem trabalha no setor insatisfeitos – 8% dos entrevistados disseram estar tristes com seu trabalho – e mais doentes fisicamente. Apenas 15% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com sua condição física, isso é resultado das altas cargas horárias na frente do computador, falta de tempo para alimentação adequada e sedentarismo causado pelo cansaço. 

 

Outro sinal de alerta é o isolamento desses profissionais. Apesar de serem colaboradores como qualquer outro, eles são vistos como a “voz da empresa” e, no caso de medidas mais pesadas, são, muitas vezes, culpados e julgados pelas decisões do negócio. Isso faz com que 62% dos entrevistados não tenham afirmado que recebem apoio e ajuda dos colegas quando precisam e apenas 18% dos profissionais se sintam reconhecidos.

 

Remédio: uma boa gestão

 

O diagnóstico é preocupante, ele deixa claro o adoecimento de quem, por função, cuida dos outros. Na situação atual onde a incerteza, cobrança, diminuição do quadro de funcionários e pressão aumentam a cada dia, é preciso buscar forças para não agravar esse quadro. O direcionamento e gestão apropriada por parte dos líderes dos negócios pode ser uma solução — 30% dos gestores de RH não enxergam uma direção clara  para o seu trabalho, de acordo com a pesquisa. 

 

Portanto, uma gestão que incentive a troca, distribua os papéis e incentive a conversa pode ajudar os profissionais de RH a se sentirem mais acolhidos e motivados nas suas funções, mesmo quando desagradáveis. Ver o RH como estratégico não é apenas levar em conta o número e gestão de talentos na hora do planejamento anual, é dar ao gestor um papel relevante dentro das decisões do negócio e ainda cuidar também da sua saúde ocupacional.

 

Se manter saudável no trabalho passa ainda por um esforço pessoal dos profissionais de RH de entenderem o seu papel no negócio, exporem suas reivindicações e se colocarem, também, no papel de funcionário que busca bem-estar. A conversa é a chave para tornar a empresa um lugar agradável para todos, inclusive  para aqueles se esforçam em melhorar a qualidade da vida profissional dos outros. 

 

E na sua empresa, como andam os profissionais de RH?

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